sexta-feira, 19 de junho de 2015

Famosas últimas palavras

Vem isto a propósito da carta de J. Eustáquio de Andrada que Xilre amavelmente deu a conhecer sob a epígrafe supra transcrita.
Conta a lenda que o visconde Pierre de Cambronne, ao ser derrotado na batalha de Waterloo, terá respondido aos pedidos de rendição pelo general Charles Colville, que "La Garde meurt mais ne se rend pas".
Porém, Victor Hugo em Os Miseráveis esclarece que Cambronne respondeu simplesmente "Merde". Palavra que ficou conhecida como "le mot de Cambronne".
Um homem avisado, que se mete em batalhas retóricas, tem que saber sempre que, independentemente do que disser, os outros ouvirão apenas o que souberem ouvir.

18 comentários:

  1. Famous last words será sempre um álbum épico dos Supertramp.
    Caramba, o tempo não passa.
    (É preocupante imaginar que a minha última palavra possa ser um palavrão, especialmente um daqueles que nunca digo. Mas consola-me o facto de saber que jamais será uma famous word, apenas last.)
    Bom fim de semana, Outro Ente.
    Beijos
    LP.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Cara Linda,
      A menos que as publique no blog. Parece que há uma espécie de cangalheiros virtuais em expansão. Pode pensar nelas, memorizá-las, escrevê-las "pro futuro" e depois, na hora da sua morte, aparecem em forma de post. Um must, é o que lhe digo. Must decline.
      Beijos,
      Outro Ente.

      Eliminar
    2. Mas essas seriam sempre my last written words. E posso pô-las no blog à vontade, que nunca serão famous.
      Must decline, too
      .
      Mas, e as palavras ditas ao vento? Essas é que me preocupam.
      Seja o que Deus e o diabo quiserem. De qualquer maneira, não ficarei cá para assistir às reacções do povo.
      Beijos,
      LP.

      Eliminar
  2. Pancho Villa, que se envolveu numa batalha para lá do retórico que teve como conclusão as suas últimas palavras, já prevenindo essa situação, teve a presença de espírito para exalar: «Digam-lhes que eu disse... qualquer coisa!»

    Boa tarde e um abraço, caro Outro Ente.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Caro Xilre,
      Confesso que não vi o filme. Mas não garanto que, de ora em diante, não use esse "qualquer coisa" tão espirituoso.
      Um abraço,
      Outro Ente.

      Eliminar
  3. Não sei porquê mas acho que o "nosso" Xilre sabia muito bem o que o esperava, quer quando escreveu o texto, quer qaundo manteve abertos os comentários que tanto tempo estiveram fechados. Uma boa contenda é um estímulo para os seres inteligentes. Aliás, tal como acontece por aqui, com algumas provocações. :)))

    Beijos, caríssimo Ente, e uma boa noite. :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Não duvido querida Maria Eu.
      Um beijo,
      Outro Ente.

      Eliminar
  4. Uma vez por outra as pessoas ouvem exatamente o que lhes é dito e, ainda assim, discordam do raciocínio subjacente.
    Parece-me normal e saudável.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Querida Cuca, a Pirata,
      Esse é o nirvana de qualquer discussão.
      Um beijo,
      Outro Ente.

      Eliminar
  5. "qaundo" deve ser uma palavra de um qualquer dialecto africano. :P

    ResponderEliminar
  6. Uns ouvirão apenas o que souberem ouvir, outros, ainda, apenas o que quiserem ouvir. :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Querida Luísa,
      Os que ouvem apenas o que lhes convém são os abestados que nunca evoluirão por culpa própria.
      Um beijo,
      Outro Ente.

      Eliminar
  7. Um autêntico Cambronne, Monsieur le Vicomte.
    Adoro o Xilre e as deliciosas cartas de J. Eustáquio de Andrada . Beijinho grande, meu iluminação amigo X.
    Um outro cheinho de carinho, meu querido Outro Ente
    É de aproveitar, que eu hoje estou beijoqueira :) :) caso alguém precise dum pequeno carinho extra :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Um beijo para si também querida M D Roque.
      Boa noite,
      Outro Ente.

      Eliminar
  8. "...independentemente do que disser, os outros ouvirão apenas o que souberem ouvir." Para mim, esta frase, é um excelente resumo do que considero um dos grandes problemas da humanidade. Tenho a mania de pensar, que a maioria dos conflitos começa por esse motivo. Discordar-se do que se ouviu corretamente, pode acrescentar, fazer o mundo avançar. Mas discordar-se daquilo que nem sequer foi dito, apenas se ouviu assim, é só mal entendido e muitas vezes contribui para um mal entendido ainda maior.
    Bom fim de semana, Outro Ente.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Querida Cláudia,
      Os que ouvem apenas o que sabem ouvir serão um mal. Mas um mal menor, se comparados com os que ouvem o que querem ouvir. Estes são um flagelo. Aqueles serão uns coitados.
      Um beijo,
      Outro Ente.

      Eliminar
  9. Sobre "batalhas retóricas", "nirvanas dialécticos" e não só blogues

    https://www.youtube.com/watch?v=MMffiQViUqs


    (porque saber ouvir não é necessariamente saber calar):


    https://www.youtube.com/watch?v=v2a9sky8nnA

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Certo, Lady Kina, certo. Só pelo que me ri, leva a palma, sem discussões, argumentos ou respostas.
      Um beijo,
      Outro Ente.

      Eliminar