quinta-feira, 23 de junho de 2016

Je Vais T'Aimer




A faire cerner à faire fermer nos yeux
A faire souffrir à faire mourir nos corps
A faire voler nos âmes aux septièmes cieux
A se croire morts et faire l'amour encore
Je vais t'aimer!

terça-feira, 21 de junho de 2016

Trivialidades

Talvez escreva sobre os sete anos de há dois dias ou sobre os onze de amanhã. Sobre o Euro ou sobre um telemóvel sem net. Sobre estes dias bons, que esticam para todas as vontades. Sobre o último passeio ou sobre a próxima viagem. Talvez escreva sobre as travessuras de Milú, que decidiu ir à corda da roupa e comer um peúgo ou sobre os voos de Hara, cada vez mais mimada, mais fiel, mais nossa. Talvez escreva sobre Edite e sobre a aventura de um tiramisu. Sobre o meu avô que aos noventa anos me contorna discretamente para descer as escadas junto ao corrimão. Sobre as felicidades dos meus junhos, resgatados da maleita do junho passado. Talvez escreva sobre malas abertas, Alvarinho fresco, brincos de cereja, cascatas de água fresca, brindes à nossa. Aos nossos!

terça-feira, 14 de junho de 2016

Ao quinto dia não descansou

Melhor do que passar quatro dias na herdade é passar quatro dias na herdade com amigos. Quatro dias grandes, com tempo para acordar com calma e comer com fome, adormecer de cansaço e respirar fundo, andar de bicicleta e nadar na piscina, jogar às escondidas e apanhar laranjas, esquecer que existem sofás e passar o dia inteiro ao ar livre, ficar com as marcas das mangas da t-shirt nos braços e uns arranhões nas pernas, aprender a mergulhar e a jogar badminton. Dias que começam cheios de energia e terminam cheios de sono, em que se colecionam memórias e contam histórias, que parecem nunca mais acabar e que chegam ao fim demasiado cedo. No regresso a casa, contámos histórias novas e fizemos planos de repetições.
Hoje, quando os acordei ao toque de um relógio que desconhece o sabor das horas do despertar: "Há partes do meu corpo que ainda não dormiram!"

quarta-feira, 8 de junho de 2016

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Revogo todos os nossos perdões: viverás livre de indultos

Recuperarás a indecente ilusão de incompatibilidade entre feitio e amor, esquecerás o caminho para a casa onde nunca foi inverno, continuarás a precisar de boas traduções para apreciar estórias inesquecíveis, fingirás que estiveste sempre aqui e que sentes a minha ausência... 

53 minutos a contar-te de nós

Se os dias do meu passado tivessem 53 minutos mais, ter-te-ia encontrado antes das cicatrizes.
Se os dias do meu futuro tivessem 53 minutos mais, saberia de cor a cor do 3º minuto da aurora e a exata medida do teu pescoço.
Se hoje tivesse 53 minutos mais, faríamos cama no horizonte que funde o céu com o mar.

 
 
Era um vendedor de comprimidos para tirar a sede. Toma-se um por semana e deixa-se de ter necessidade de beber.
- Porque é que andas a vender isso? - perguntou o principezinho.
- Porque é uma grande economia de tempo - respondeu o vendedor. - Os cálculos foram-feitos por peritos. Poupam-se cinquenta e três minutos por semana.
- E o que é que se faz com esses cinquenta e três minutos?
- Faz-se o que se quiser...
“Eu”, pensou o principezinho, “eu cá se tivesse cinquenta e três minutos para gastar, punha-me era a andar muito de mansinho à procura de uma fonte…”
(Antoine de Saint Exupéry, O Principezinho)

Departures and arrivals

Substituiremos as juras para toda a vida pelas juras por toda a vida.

O nosso segredo

Podes ser feliz à vontade, que eu não digo a ninguém.

sábado, 4 de junho de 2016

Luxúria

Pinto-te ruiva em robe de chambre e aniquilo o teu fucking monster of nostalgia.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Chegou a hora de te falar dos pequenos nibelungos

Barbeio-me todos os dias. Não uso after shave. Vou cortar o cabelo todos os meses. Não se nota. Velejo todos os anos. Não quero companhia. Invariavelmente, ao pequeno almoço bebo um café e fumo um cigarro. Prefiro calçado de atacadores. Não uso chinelos. Gosto de conversar. Não procuro discussões. Interessas-me. Há coisas a que não ligo. Se mudares objetos de sítio, não vou notar. Se mexeres as minhas coisas, vou perguntar-te onde estão até me habituar. Quero as coisas como as quero. Se precisares das passwords, estão na 1ª gaveta do lado esquerdo da secretária. Sou apologista da partilha, não da intromissão.  Se tirares livros das estantes, devolve-os à sua fresta. O mesmo com cd's. Notarei, quando apetecerem. Sou imediatista e intransigente. Vais onde queres, mas não saias sem me dar um beijo. Acompanho-te "às compras", desde que saibas o que procuras. Sou omnívoro. Gosto de comer bom, não muito. Aprecio vinho tinto, dispenso cerveja. Não tenho horários. Faço o que me apetece. Com dedicação. Falho, mesmo quando queria não falhar. Se vieres comigo, vamos ao teu ritmo. Gosto de te ver em bikini. Se me perguntares, vou dizer-te que os fatos de banho te ficam mal. Rude e condescendente. Bazárov diverte-me, mas nunca seria seu amigo. Não vou para a cama sem ler. Gosto de te ler. Soas-me "como um sino de ar puro".

Lobo do Mar




Apontamento nesta manhã de Junho

Que outros cantem as armas e os heróis,
os abismos do ser
ou a complexidade do universo.

A mim deixa-me que te fale da graça irrepetível
desta tarde de Abril, a efémera formosura
da luz, que é minha amiga e que placidamente
acaricia o papel em que te escrevo.

(E. Sánchez Rosillo, Apunte de una tarde)

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Interlúdio: Hoje

Comemos bolo de chocolate. Vencemos Príamo. Colecionamos céus e miradouros. Nem todos celestes, nem só faróis.  Alinhavamos a estratégia de Joseph K. Escolhemos cães pouco amestrados e papagaios desequilibrados. Despes-te do Ritz. Toco-te. Struggle for Pleasure. Pensas ter pensado a minha cadeira de pensar. Descobres Tristam Shandy. Navegamos marés vazas. Vês o teu reflexo nos meus olhos. Reinas com os peixes verdes. E derramas e irrompes e fazes acender as luzes da paixão.
Hoje, decides deixar-te salvar.

Ainda nem sequer trocámos músicas..., pediu ela


(À parte: a flor)

Foi trazido ao conhecimento de Outro Ente que algumas bloggers põem em causa a sua devoção, fazendo pirraça à Pirata escolhida e exibindo uma flor como "omnipresença diagonal dotada de existência". Mais, que apresentam a sua flor como se de símbolo de amor e de prova de vida se tratasse. Mais ainda, que afogam a dita flor em elogios.
Então, para que todos fiquem cientes do seu empenho neste galanteio, Outro Ente faz saber que ofereceu à Capitã: o mar em flor.
 


quarta-feira, 1 de junho de 2016

Movimento para concerto

Se ao menos soubesse burilar as palavras,
Se ao menos as palavras me saíssem redondas e inteiras
como os acordes gemidos pelos paralelepípedos de marfim deste velho piano,
escrever-te-ia um poema.
Se ao menos me deixasses versejar o "Sequestro Perpétuo",
Se ao menos quisesses ser apenas uma boneca que só eu compreendesse,
Se ao menos soubesse dar-te as palavras,
escrever-te-ia o poema eterno.
Se ao menos não soubesse que tu regressarás para ser personagem de ti...

terça-feira, 31 de maio de 2016

Intervalo: filme para o serão


Prenúncio: rejeitar-me-ás pela fantasia dos finais infelizes

Pronunciarás aos meus ouvidos monossílabos confessórios e confortar-te-ás com todas as sílabas da minha boca. Absolutórias e condenatórias.

Prelúdio do fim: nascer-te-ão as letras que morrerão em mim

Não preciso que me dês o teu número no aperto de um elevador. Conheço as docas onde atracas, os mares onde te procuras e os tempos dos tempos que te marcam. Levar-te-ei a falar com Medusa e ressuscitar-te-ei Estrelita, para que as possas matar outra vez vezes sem conta. Ensinar-te-ei a contabilidade das almas desesperadas. Recuperarei todos os teus Klimts e regarei as tuas árvores. Mesmo as mortas. A cama não será um monstro verde, nem estará deserta. Tu escolherás ser Bacall e eu serei daqueles que preferem Bacall.

No final, reassenhorear-te-ás das cargas dramáticas que se vão esvaindo em eterno retorno e voltarão a brotar em ti histórias de desencantar. 

(Ao longo de 7 dias e 7 noites conquistarei e despedaçarei o coração de Cuca, a Pirata. Neste sentido, apelo aos vossos valorosos contributos em prol da linha editorial de  Stars & Mythical Creatures.)

segunda-feira, 30 de maio de 2016

À espera que a caravana passe...

(Jan Fabre)

Será mais ou menos isto

Não estudo nem deixo de estudar com os meus filhos.
Se precisam que lhes segure o selim para aprenderem a andar de bicicleta sem rodinhas, seguro-o. Se não conseguem atar as sapatilhas, o melhor é comprar das de velcro. Quando dominarem o laço poderão ter as All Star desejadas - estarei a compra-los? Se não sabem o que é uma hipérbole, perguntam. Se precisam de um poema, procuramo-lo juntos e, provavelmente, escolheremos Liberdade. Se estão a aprender a ler ouço a Galinha Ruiva e o Patinho Feio em versão nível 1, vezes sem conta. Se vão ter teste e dizem "papá, vê se eu já sei?", pego no manual e limito-me a fazer perguntas. Por isso, diria que não, não estudo com eles.
Por outro lado, quando me pedem, ensino-os a sublinhar os manuais, ensino-os a não estudar por apontamentos, ensino-lhes a matéria que não compreenderam, ensino-lhes a importância do rigor, ensino-lhes que devem ser o melhor que conseguirem ser, ensino-lhes que os resultados dos outros não são bitola para eles, ensino-lhes que ninguém é perfeito e que é normal ser menos bom nalgumas disciplinas, ensino-lhes que os excelentes também falham, ensino-lhes que o 19 pode não ser muito bom e que o 15 pode ser motivo de orgulho. Por isto, talvez sim, talvez estude com eles.
Seja como for, continuarei a fazer pelo melhor, ainda que amanhã possa fazer diferente.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Outro Ente esclarece como (também) ocupa as suas crianças nas férias de verão

Percorro a avenida das tílias e venho sentar-me neste banco de madeira, debaixo de uma azinheira. Olho as folhas secas caídas pelo chão. Ao lado, as ervas daninhas teimam em crescer por entre a calçada. Abaixo, a salsa saiu dos seus canteiros e desafia as juntas da velha escada de pedra. Ao longe, os trilhos quase escondidos pelas papoilas e o rosmaninho e os estradões estreitados pelas bermas silvestres que cresceram. Regresso pelo caminho das amoreiras e verifico que o musgo invadiu algumas das juntas da cobertura da piscina e que o lago está cheio de verdete.
É preciso juntar folhas em montes, recolhê-las para um carro-de-mão e sobrepor-lhes um menino, para que não voem as folhas e o petiz se delicie com a viagem encosta abaixo; é preciso apanhar a salsa desordeira e oferecê-la à D. Berta, que nos agradecerá em pastéis de bacalhau; é preciso dar passeios pelos campos para avivar caminhos e desgastar as unhas da Milú que anda armada em sedentária; é preciso trepar às árvores como os macacos para apanhar as nêsperas, as cerejas e as amoras e comê-las quentes e ficar com nódoas na roupa, nas mãos, na cara, na língua; é preciso aprender -mesmo- a andar de bicicleta, para não cair nos passeios até à ribeira; é preciso lavar a cobertura com jatos de pressão que nos molham sem mergulharmos; é preciso renovar a água do lago e ir ao poço pescar novos peixes que os gatos da redondeza novamente se encarregarão de comer...
Está tudo a precisar das férias grandes!

terça-feira, 24 de maio de 2016

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Do fim de semana

"Esqueçamos, darling, tudo o que não se passou entre nós".
(A Cantora Careca, Eugène Ionesco)

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Bem sei que me repito

BENFICA!!!

Dedicatória

A todos os que, em reuniões de trabalho, fazem perder tempo com asneiras e, apercebendo-se do faux pas, oferecem um "pardon my french" servido em cara de parvo: "parle à mon cul, ma tête est malade!".