sexta-feira, 15 de julho de 2016

Teosofia

Não é preciso ter estado em Nice. Não é preciso ter memórias da cupidez feita no Negresco. Não é preciso ter fitado a Côte D'Azur com olhos clandestinos...
A exuberância da liberdade, da igualdade e da fraternidade não vêm em guias de viagem. Vivem-se em toda a parte. Numa festa de aldeia, na marina, num festival de verão, num concerto ao ar livre, no meio da multidão, num passeio solitário.
Chegam notícias de demónios de um deus que não conheço - imagens tão diferentes da cosmopolita Promenade que com vagar e paz calcorreei - e invade-me um sentimento de maresia, em jeito de catarse, para que o mundo não me morra de desumanidade.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

O plágio não é só um problema, também é um crime


Há coisas que são e não poderiam não ser e outras que não são, mas vão sendo...
A apropriação de textos originais publicados em blogs é crime.
A apresentação desses textos como criação do agente é crime.
O plágio viola a individualidade.

À laia de fundamentação*, mas na verdade é só porque me apetece:
Artigo 12.º (Reconhecimento do direito de autor)
O direito de autor é reconhecido independentemente de registo, depósito ou qualquer outra formalidade.
Artigo 213.º (Regra geral)
O direito de autor e os direitos deste derivados adquirem-se independentemente de registo, sem prejuízo do disposto no artigo seguinte.
Artigo 196.º (Contrafacção)
1–Comete o crime de contrafacção quem utilizar, como sendo criação ou prestação sua, obra, prestação de artista, fonograma, videograma ou emissão de radiodifusão que seja mera reprodução total ou parcial de obra ou prestação alheia, divulgada ou não divulgada, ou por tal modo semelhante que não tenha individualidade própria.
2 – Se a reprodução referida no número anterior representar apenas parte ou fracção da obra ou prestação, só essa parte ou fracção se considera como contrafacção.
3 – Para que haja contrafacção não é essencial que a reprodução seja feita pelo mesmo processo que o original, com as mesmas dimensões ou com o mesmo formato.
4 – Não importam contrafacção:
a) A semelhança entre traduções, devidamente autorizadas, da mesma obra ou entre fotografias, desenhos, gravuras ou outra forma de representação do mesmo objecto, se, apesar das semelhanças decorrentes da identidade do objecto, cada uma das obras tiver individualidade própria;
b) A reprodução pela fotografia ou pela gravura efectuada só para o efeito de documentação da crítica artística.
*Todos do Código do Direito de Autor e dos Direitos Conexos.










quarta-feira, 13 de julho de 2016

Mental coach e blogs

Pipoco Mais Salgado está para Senhor Ministro assim como Susana Torres está para Eder?

Nem sempre acaba bem

Não somos tantos que não os conheça a todos. Alguns já cá estavam, outros foram trazidos por mim. São momentos bons, aqueles em que formamos equipa e acreditamos nas pessoas que escolhemos. Depois, vem a aprendizagem, a adaptação, o trabalho e, eventualmente, a rotina. Muitos nunca a sentem ou, pelo menos, não cedem. 
Prefiro recuperar um trabalhador a substituí-lo, ainda que isso implique "voltar ao início", explicar de novo, exigir as coisas pequenas que estavam pressupostas, voltar a formar, acompanhar de perto. Normalmente, consegue-se (re)motivar e recuperar um bom elemento para a equipa.
Porém, não é possível andar sempre em cima de uma pessoa, nem eu tenho feitio para polícia, nem ao trabalhador agradaria a vigilância constante...
Acaso tivesse sido mais polícia teria, agora, de ser menos carrasco?

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Com propriedade

Ontem, voltou a cantar o hino, de pé, com a mão no peito, muito compenetrado:
Heróis do mar, Nobre povo,
Nação valente e brutal...


Ainda não foi desta que o corrigi.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Outro Ente não declama poesia

Nem nunca ouviu as suas boas companhias fazê-lo.
Nem bebe gin tónico ao fim da tarde.
Mas, lê blogs que lhe agradam e pensa que gosta da pessoa que escreve.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Outro Ente vem a terra


Nuances

Uma das questões que nos tem ocupado o tempo de navegação, e sobre a qual eu e o meu irmão não chegámos a consenso, é esta:
Há sempre razões para viajar ou para viajar não são necessárias razões?

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Largar amarras

Lembro-me do princípio, vago e tempestuoso como todos os início. Desperto, de madrugada, com o soprar do vento e as velas inquietas. O sol que vejo nascer não será o sol do meu crepúsculo. Terminarei o dia onde não o comecei. Urge levantar a âncora. Anseio pelas velas desfraldadas. O leme pede direção, mude de rumo ou não. Sou cavaleiro de marés, alquimista dos tesouros do silêncio, cientista dos pensamentos que deixo para trás, pescador de ondas seladas na memória. A neblina desvanece-se. A espuma do oceano ilude uma fragilidade inexistente. É impossível apressar as ondas. Não demoro...


Partida


quinta-feira, 23 de junho de 2016

Je Vais T'Aimer




A faire cerner à faire fermer nos yeux
A faire souffrir à faire mourir nos corps
A faire voler nos âmes aux septièmes cieux
A se croire morts et faire l'amour encore
Je vais t'aimer!

terça-feira, 21 de junho de 2016

Trivialidades

Talvez escreva sobre os sete anos de há dois dias ou sobre os onze de amanhã. Sobre o Euro ou sobre um telemóvel sem net. Sobre estes dias bons, que esticam para todas as vontades. Sobre o último passeio ou sobre a próxima viagem. Talvez escreva sobre as travessuras de Milú, que decidiu ir à corda da roupa e comer um peúgo ou sobre os voos de Hara, cada vez mais mimada, mais fiel, mais nossa. Talvez escreva sobre Edite e sobre a aventura de um tiramisu. Sobre o meu avô que aos noventa anos me contorna discretamente para descer as escadas junto ao corrimão. Sobre as felicidades dos meus junhos, resgatados da maleita do junho passado. Talvez escreva sobre malas abertas, Alvarinho fresco, brincos de cereja, cascatas de água fresca, brindes à nossa. Aos nossos!

terça-feira, 14 de junho de 2016

Ao quinto dia não descansou

Melhor do que passar quatro dias na herdade é passar quatro dias na herdade com amigos. Quatro dias grandes, com tempo para acordar com calma e comer com fome, adormecer de cansaço e respirar fundo, andar de bicicleta e nadar na piscina, jogar às escondidas e apanhar laranjas, esquecer que existem sofás e passar o dia inteiro ao ar livre, ficar com as marcas das mangas da t-shirt nos braços e uns arranhões nas pernas, aprender a mergulhar e a jogar badminton. Dias que começam cheios de energia e terminam cheios de sono, em que se colecionam memórias e contam histórias, que parecem nunca mais acabar e que chegam ao fim demasiado cedo. No regresso a casa, contámos histórias novas e fizemos planos de repetições.
Hoje, quando os acordei ao toque de um relógio que desconhece o sabor das horas do despertar: "Há partes do meu corpo que ainda não dormiram!"

quarta-feira, 8 de junho de 2016

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Revogo todos os nossos perdões: viverás livre de indultos

Recuperarás a indecente ilusão de incompatibilidade entre feitio e amor, esquecerás o caminho para a casa onde nunca foi inverno, continuarás a precisar de boas traduções para apreciar estórias inesquecíveis, fingirás que estiveste sempre aqui e que sentes a minha ausência... 

53 minutos a contar-te de nós

Se os dias do meu passado tivessem 53 minutos mais, ter-te-ia encontrado antes das cicatrizes.
Se os dias do meu futuro tivessem 53 minutos mais, saberia de cor a cor do 3º minuto da aurora e a exata medida do teu pescoço.
Se hoje tivesse 53 minutos mais, faríamos cama no horizonte que funde o céu com o mar.

 
 
Era um vendedor de comprimidos para tirar a sede. Toma-se um por semana e deixa-se de ter necessidade de beber.
- Porque é que andas a vender isso? - perguntou o principezinho.
- Porque é uma grande economia de tempo - respondeu o vendedor. - Os cálculos foram-feitos por peritos. Poupam-se cinquenta e três minutos por semana.
- E o que é que se faz com esses cinquenta e três minutos?
- Faz-se o que se quiser...
“Eu”, pensou o principezinho, “eu cá se tivesse cinquenta e três minutos para gastar, punha-me era a andar muito de mansinho à procura de uma fonte…”
(Antoine de Saint Exupéry, O Principezinho)

Departures and arrivals

Substituiremos as juras para toda a vida pelas juras por toda a vida.

O nosso segredo

Podes ser feliz à vontade, que eu não digo a ninguém.

sábado, 4 de junho de 2016

Luxúria

Pinto-te ruiva em robe de chambre e aniquilo o teu fucking monster of nostalgia.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Chegou a hora de te falar dos pequenos nibelungos

Barbeio-me todos os dias. Não uso after shave. Vou cortar o cabelo todos os meses. Não se nota. Velejo todos os anos. Não quero companhia. Invariavelmente, ao pequeno almoço bebo um café e fumo um cigarro. Prefiro calçado de atacadores. Não uso chinelos. Gosto de conversar. Não procuro discussões. Interessas-me. Há coisas a que não ligo. Se mudares objetos de sítio, não vou notar. Se mexeres as minhas coisas, vou perguntar-te onde estão até me habituar. Quero as coisas como as quero. Se precisares das passwords, estão na 1ª gaveta do lado esquerdo da secretária. Sou apologista da partilha, não da intromissão.  Se tirares livros das estantes, devolve-os à sua fresta. O mesmo com cd's. Notarei, quando apetecerem. Sou imediatista e intransigente. Vais onde queres, mas não saias sem me dar um beijo. Acompanho-te "às compras", desde que saibas o que procuras. Sou omnívoro. Gosto de comer bom, não muito. Aprecio vinho tinto, dispenso cerveja. Não tenho horários. Faço o que me apetece. Com dedicação. Falho, mesmo quando queria não falhar. Se vieres comigo, vamos ao teu ritmo. Gosto de te ver em bikini. Se me perguntares, vou dizer-te que os fatos de banho te ficam mal. Rude e condescendente. Bazárov diverte-me, mas nunca seria seu amigo. Não vou para a cama sem ler. Gosto de te ler. Soas-me "como um sino de ar puro".

Lobo do Mar




Apontamento nesta manhã de Junho

Que outros cantem as armas e os heróis,
os abismos do ser
ou a complexidade do universo.

A mim deixa-me que te fale da graça irrepetível
desta tarde de Abril, a efémera formosura
da luz, que é minha amiga e que placidamente
acaricia o papel em que te escrevo.

(E. Sánchez Rosillo, Apunte de una tarde)

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Interlúdio: Hoje

Comemos bolo de chocolate. Vencemos Príamo. Colecionamos céus e miradouros. Nem todos celestes, nem só faróis.  Alinhavamos a estratégia de Joseph K. Escolhemos cães pouco amestrados e papagaios desequilibrados. Despes-te do Ritz. Toco-te. Struggle for Pleasure. Pensas ter pensado a minha cadeira de pensar. Descobres Tristam Shandy. Navegamos marés vazas. Vês o teu reflexo nos meus olhos. Reinas com os peixes verdes. E derramas e irrompes e fazes acender as luzes da paixão.
Hoje, decides deixar-te salvar.

Ainda nem sequer trocámos músicas..., pediu ela


(À parte: a flor)

Foi trazido ao conhecimento de Outro Ente que algumas bloggers põem em causa a sua devoção, fazendo pirraça à Pirata escolhida e exibindo uma flor como "omnipresença diagonal dotada de existência". Mais, que apresentam a sua flor como se de símbolo de amor e de prova de vida se tratasse. Mais ainda, que afogam a dita flor em elogios.
Então, para que todos fiquem cientes do seu empenho neste galanteio, Outro Ente faz saber que ofereceu à Capitã: o mar em flor.
 


quarta-feira, 1 de junho de 2016

Movimento para concerto

Se ao menos soubesse burilar as palavras,
Se ao menos as palavras me saíssem redondas e inteiras
como os acordes gemidos pelos paralelepípedos de marfim deste velho piano,
escrever-te-ia um poema.
Se ao menos me deixasses versejar o "Sequestro Perpétuo",
Se ao menos quisesses ser apenas uma boneca que só eu compreendesse,
Se ao menos soubesse dar-te as palavras,
escrever-te-ia o poema eterno.
Se ao menos não soubesse que tu regressarás para ser personagem de ti...