Ainda não decidi se o Outro Ente só tem os dias bons, montado em unicórnios na companhia de afrodites, ou se também tem os outros...
Um blogue delico-cool, onde o tal e o outro dão graças por não saberem que não sabem o que não sabem.
quinta-feira, 1 de outubro de 2015
Falácias musicais
As generalizações são abusivas.
As generalizações são úteis.
As generalizações são erradas.
As generalizações são estatísticas.
Há estatísticas que resultam em mais de 100%. Serão úteis e/ou erradas?
Nada é mais melódico do que a palavra pai, na boca dos meus filhos.
Nada é mais malsonante do que a palavra pai, na boca de funcionárias de escolas.
Em geral, não gosto de música pop.
Gosto de ouvir "eu não sei o que é que te hei-de dar" cantada pela voz melodiosa da minha filha.
(Que é feito do chinês que toca prato e canta?)
À noite, quando os souber a sono solto, embalar-lhes-ei os sonhos com o Canto de Luar (Ivo Cruz). Apetece-me o silêncio da música do silêncio.
(Angela Bacon)
quarta-feira, 30 de setembro de 2015
As coisas são como digo
Estava aqui a olhar para a biqueira dos meus sapatos pretos, com um discreto reflexo grená (uma mulher descreveria melhor), de atacadores, elegantes e confortáveis, lindos, tão lindos que nem há, e lembrei-me que também os sapatos não fazem o homem.
Terá de bastar a minha palavra.
terça-feira, 29 de setembro de 2015
Escolhas
Não sei se vos fale do cuidado com que estive a escolher os sapatos que calçarei amanhã (não vá dar-me na real gana postá-los), se do novo episódio da saga "quem sai aos seus " (- Eu não vou voltar a ouvir que bateste num colega! - Mas, ainda falta um...).
Em verdade vos digo que nunca mais é sábado.
Em verdade vos digo que nunca mais é sábado.
segunda-feira, 28 de setembro de 2015
De repente, não se fez domingo
Naquele instante, em que o Ah se fez ó, soçobraram todos os nossos planos. A mesa ficou por pôr, a prenda por embrulhar, as conversas por soar, a festa por fazer... na verdade, nem sei bem se tudo ficou por acontecer ou se ficou tudo feito, esgotado na desnecessidade de prosseguir, num fim sem meio.
Enquanto te pegava ao colo, lembrei-me daqueles tempos em que te abraçava as pernas e media a força pelos centímetros que os teus pés se elevavam do chão.
Quem disse que só em crianças precisamos que nos deem a mão? Eu preciso de ta dar. Mesmo tendo a certeza de que não te deixarei cair.
Voltei aos corredores. Voltaremos a correr. Domingo!
sábado, 26 de setembro de 2015
Pessoalidades
"Não sei quem sou, que alma tenho.
Quando falo com sinceridade não sei com que sinceridade falo.
Sou variamente outro do que um eu que não sei se existe (se é esses outros)...
Sinto crenças que não tenho.
Enlevam-me ânsias que repudio....
A minha perpétua atenção sobre mim perpetuamente me ponta
traições de alma a um carácter que talvez eu não tenha,
nem ela julga que eu tenho.
Sinto-me múltiplo.
Sou como um quarto com inúmeros espelhos fantásticos
que torcem para reflexões falsas
uma única anterior realidade que não está em nenhuma e está em todas.
Como o panteísta se sente árvore (?) e até a flor,
eu sinto-me vários seres.
Sinto-me viver vidas alheias, em mim, incompletamente,
como se o meu ser participasse de todos os homens,
incompletamente de cada (?),
por uma suma de não-eus sintetizados num eu postiço."
Quando falo com sinceridade não sei com que sinceridade falo.
Sou variamente outro do que um eu que não sei se existe (se é esses outros)...
Sinto crenças que não tenho.
Enlevam-me ânsias que repudio....
A minha perpétua atenção sobre mim perpetuamente me ponta
traições de alma a um carácter que talvez eu não tenha,
nem ela julga que eu tenho.
Sinto-me múltiplo.
Sou como um quarto com inúmeros espelhos fantásticos
que torcem para reflexões falsas
uma única anterior realidade que não está em nenhuma e está em todas.
Como o panteísta se sente árvore (?) e até a flor,
eu sinto-me vários seres.
Sinto-me viver vidas alheias, em mim, incompletamente,
como se o meu ser participasse de todos os homens,
incompletamente de cada (?),
por uma suma de não-eus sintetizados num eu postiço."
(Fernando Pessoa, Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação)
sexta-feira, 25 de setembro de 2015
quinta-feira, 24 de setembro de 2015
Sendo homem é mais fácil
A maioria dos blogs de mulheres "ventila" sobre filhos, closets e cozinha. A minoria de blogs escritos por homens versa sobre prazeres, política e desporto.
Elas começam posts por "diz que" e queixam-se de "calor de ananases". Eles citam quem antes disse melhor.
Não é líquido que elas saibam quem foi Elsa Schiaparelli, tenham lido Brazelton ou distingam entre uma instalação de Yayoi Kusama e a do eletricista da esquina. É sólido que eles leram Hemingway, ouvem Herbie Hancock e cultivam paixões.
Elas "prantam" fotos de "outfits" em ambientes de Picheleira. Eles partilham fotografias de detalhes com requinte.
Nos blogs delas há sempre umas "quiduchas" a elogiar tudo. Nos blogs deles há quem reclame pela falta de um travessão.
quarta-feira, 23 de setembro de 2015
Canis, queres ser milionário?
Exmo. Senhor Canis Kahlo,
Após aturada prospeção de mercado, na sequência de irrefutáveis estudos antagónicos e com base no apuradíssimo faro de Hara, eu próprio, na pessoa da minha belíssima figura e em representação de moi même, amigo pessoal, encontro-me quase autorizado a referir que V. Exa tem lugar à disposição na fundação a ser diligenciada, em vias de ser financiada, para eventuais futuros ocasionais sem sim nem sopas só papos cheios.
Assim, e com vista a afastar os pombos cagões das quase prontas fachadas, a terminar e em fase de acabamentos, com Ph de última geração, de instalações ultraleves spé invisíveis a ver, deverá V. iminente Eminência ter disponibilidade para estar à disposição, apresentando-se imediatamente, aqui e já, se, quando e onde lhe vier a ser solicitado, alguma vez por hipótese, ainda que académica, e que, apenas por mera cautela e em termos de raciocínio, se admite.
A sua contratação como ladrador-mor depende do preenchimento de um único requisito e/ou condição irrisório/a, quase nada, consistente em, atenta a necessidade de salvaguardar futuras eventualidades daqueles casos em que uma pessoa nunca sabe, pode mesmo acontecer talvez, e de modo ainda a acautelar, prevenir, reduzir e quiçá chegar mesmo a obstar a quaisquer tratamentos, iniciativas ou javardices de cheirar cus, fazer prova da sua castração ou, em alternativa, de ser castrado.
Isto, evidente, clara e notoriamente com vista à sua admissão imediata. Sem prejuízo de, bem analisadas as coisas e realizada a devida ponderação dos valores, interesses e demais circunstâncias em causa ou jogo, logo se verá.
Na certeza do seu esgan(iç)ado ão, despeço-me com um amistoso quase amigável "busca, vai buscar",
Assinado: o fundador da fundação infundada.
terça-feira, 22 de setembro de 2015
Foi hoje. É amanhã.
Hoje, era dia de transição de Yakari para Greyeagle.
Hoje, vou ser grande. Hoje, vou voar. Hoje, vou crescer. Amanhã conto. Hoje, monto o Jacques. Hoje, possante. Ontem passei-o à guia. Hoje, vou saltar a ribeira. Ontem limpei-lhe os cascos. Hoje, vou ser capaz. Amanhã, já consegui!
Sou tão grande. Vou tão depressa. Estou tão alto.
A ribeira é tão grande... O abismo é tão largo... É tão tarde...
Desculpa Jacques.
Ontem, segurei-me às rédeas que nos prenderam o voo*.
Hoje, as rédeas são para soltar. Os saltos são para voar. Os amanhãs são para confiar.
* Poupo à descrição do que se seguiu, num tempo em que já havia avós e ainda não havia Eduardos Sá a cantá-los, quando, mesmo sem ligas, havia amigos de cavalos.
Hoje, vou ser grande. Hoje, vou voar. Hoje, vou crescer. Amanhã conto. Hoje, monto o Jacques. Hoje, possante. Ontem passei-o à guia. Hoje, vou saltar a ribeira. Ontem limpei-lhe os cascos. Hoje, vou ser capaz. Amanhã, já consegui!
Sou tão grande. Vou tão depressa. Estou tão alto.
A ribeira é tão grande... O abismo é tão largo... É tão tarde...
Desculpa Jacques.
Ontem, segurei-me às rédeas que nos prenderam o voo*.
Hoje, as rédeas são para soltar. Os saltos são para voar. Os amanhãs são para confiar.
* Poupo à descrição do que se seguiu, num tempo em que já havia avós e ainda não havia Eduardos Sá a cantá-los, quando, mesmo sem ligas, havia amigos de cavalos.
segunda-feira, 21 de setembro de 2015
Sabes que estás a amolecer quando
Decides não tornar a correr mais de um km, praia fora, atrás de uma cadela no rasto de uma gaivota. Decides educar a cadela para que obedeça, não se afaste, não enlouqueça atrás da caça e entregue as peças que vai buscar. Encontras a coleira que procuravas. Encontras a coleira que procuravas com alcance que te satisfaz. Reparas que a coleira está em promoção. Lês o reverso da embalagem sobre as 12 intensidades dos choques. Deixas a coleira na prateleira.
Asfixia mental
Serão os jornais (não os blogs, note-se) a fonte inesgotável onde se haure, a cada dia, uma nova canalhice?
Responde, ó Habermas!, quanto disto é do homem?
Responde, ó Habermas!, quanto disto é do homem?
Porque não os deixo ganhar
Terminado o leve - a lembrar papos de anjo - jantar de domingo (talvez devesse ter dito light, mas temi que vos lembrásseis de compal preterindo a real batuta do Niepoort 2007, da mesma forma que tomais o olive por dieta a despeito da azeitona), como convém aos jantares de domingo, cheios de boas intenções e renovadas determinações, percorro a alameda das tílias na companhia de Vegas Robaina e Hara.
Os lustres que pendem sobre a mesa da sala, iluminando a calçada com luz coada, permitem adivinhar a azáfama que precede um serão de jogos.
Regresso para encontrar, no meu lugar, o tabuleiro vermelho da "batalha medieval" virado a poente e, virado a norte, o tabuleiro de pedra com as peças do xadrez ocupando já as suas posições.
Com estas duas frentes de batalha que me desviam de um outro jogo, entre "D-4 afundei?" e "H-7 xeque?" e "eu bem te vi a olhar a TV pelo rabinho do olho" ("rabinho do olho"? onde terá ela ido arranjar a expressão?), bato-me valorosamente. Acreditei na vitória até final.
(Parece que ainda não foi desta que escrevi sobre futebol.)
sexta-feira, 18 de setembro de 2015
Quem sai aos seus
A semana não podia terminar sem um rasgão nas calças e um arranhão no joelho.
"E depois as meninas ajudaram-me a sentar no banco. E deram-me beijinhos. Até as mais crescidas."
"E depois as meninas ajudaram-me a sentar no banco. E deram-me beijinhos. Até as mais crescidas."
quinta-feira, 17 de setembro de 2015
Carta de Amor
Não basta que sejas berço e mãe e loba.
Não basta que sejas bela e Lisa e Bardot.
Não basta que tenhas fé e sejas deusa, nobre burguesa, Atena nossa.
Não basta que encantes e sejas Caballé e Callas, Loren e Ingrid.
Não basta que fales as línguas do arco-íris e sejas Höch e Claudel.
Não basta que sejas origem e modo, Dorothée e Woolf.
Não basta que jorres as águas e banhes os mares, sereia e Bath e esperança.
Não basta que sejas dogma e manifesto.
Não basta que sejas utopia e Beauvoir, Florença e Lauterbrunnen.
Não basta que sejas testemunha marginal, atriz e Gioconda.
Não basta que sejas vinho, pão, pedra, Montmartre e Fontana.
Não basta que sejas manta de desirmanados.
Não basta que sejas sonho.
Não basta que sejas bela e Lisa e Bardot.
Não basta que tenhas fé e sejas deusa, nobre burguesa, Atena nossa.
Não basta que encantes e sejas Caballé e Callas, Loren e Ingrid.
Não basta que fales as línguas do arco-íris e sejas Höch e Claudel.
Não basta que sejas origem e modo, Dorothée e Woolf.
Não basta que jorres as águas e banhes os mares, sereia e Bath e esperança.
Não basta que sejas dogma e manifesto.
Não basta que sejas utopia e Beauvoir, Florença e Lauterbrunnen.
Não basta que sejas testemunha marginal, atriz e Gioconda.
Não basta que sejas vinho, pão, pedra, Montmartre e Fontana.
Não basta que sejas manta de desirmanados.
Não basta que sejas sonho.
quarta-feira, 16 de setembro de 2015
Hábitos sem monge
O fato é cinzento, preto ou azul escuro. A camisa é branca ou azul claro. A gravata é lisa ou às riscas. Os botões de punho são opcionais, muitas vezes preteridos face ao hábito de acabar o dia de mangas arregaçadas. O sapatos são pretos, de atacadores.
Hoje, lembrei-me de estrear uma camisa azul forte. De manhã, pareceu-me ficar bem com o blazer. Gostava de poder dizer que foi por causa da chuva, por me realçar os olhos verdes, por me alentar o bronzeado, por me fazer lembrar o mar, ou o céu. Gostava de poder dizer que foi por me fazer parecer mais magro ou mais gordo, consoante me imaginem gordo ou magro, que isto, já se sabe, nunca estamos contentes com o que temos e ao blogger também todos o querem como querem e não como é. Mas, a verdade é que não sei o que me deu.
Só sei que passei o dia sem reconhecer os punhos que, constantemente, assomaram sobre a minha secretária.
terça-feira, 15 de setembro de 2015
Campanha eleitoral
Dou por mim a pensar nos gansos de Konrad Lorenz.
(É bem possível que o primeiro da fila se tenha baixado para atar os cordões do sapato...)
(É bem possível que o primeiro da fila se tenha baixado para atar os cordões do sapato...)
segunda-feira, 14 de setembro de 2015
O Zelig
O molho Worcestershire é mais do que a cagança do molho inglês. É a identidade geográfica numa irmandade cultural.
Continuo sem gostar de sushi. Nem mesmo do alentejano, onde me levaram uma vez, ao engano.
Continuo sem gostar de sushi. Nem mesmo do alentejano, onde me levaram uma vez, ao engano.
domingo, 13 de setembro de 2015
Unintended consequences
Helmut Kohl, pouco depois da queda do muro de Berlim, dirigiu-se aos "alemães de leste" que se deslocavam para ocidente, pedindo-lhes "não venham mais, nós iremos aí".
Parece que Putin sugere o mesmo, mutatis mutandis, para o caso dos refugiados...
Regressado da terra dos papões, confirmo que a troika não andou por lá. E isso nota-se (também) nas mulheres.
sábado, 12 de setembro de 2015
quinta-feira, 10 de setembro de 2015
Anfractuosidades
A secretária do gabinete antigo foi-se embora, quando se tornou memória. Morreu bruscamente, deixando uma ferida profunda e secreta. Todos os tesouros foram confiados à cómoda, que ali permanece, entre espaldares de palavras encadernadas. O medo de sofrer demasiado encarcerou as penas dos pássaros sem rumo nas gavetas.
À noite, quando a dor é pungente, esqueço os desvios e obrigo-me à imprudência de procurar as tuas cartas para nelas colher palavras quase tocantes. Dou por mim a sondar o esquecimento, tranquilizado pelos teus concertos solenes, diante dos teus quadros tumultuosos, enfeitiçado pelos resumos de vida doméstica...
Vagamente, recordo que a janela a Norte continua empenada e desinteresso-me de frequentar a ausência.
Afinal, a suavidade do corpo não compensa a dureza do espírito.
Quem sai aos seus...
"- Gosto mais da professora de português do que da de música. É mais bonita e tem uma voz mais boazinha."
Blá blá blá grande final
"– Tudo isso é nojento! No fim talvez até se entendam ambos. Estou como tu dizias aqui há tempos: Caiu-me a alma a uma latrina, preciso um banho por dentro!
João da Ega murmurou melancolicamente:
– Essa necessidade de banhos morais está-se tornando, com efeito, tão frequente... Devia haver na cidade um estabelecimento para eles."
(Eça de Queiroz. Os Maias)
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