Sem prejuízo de, convirá não esquecer que:
1 - Em Roma, sê romano.
(Ou, na terra onde fores viver, faz como vires fazer.)
2 - A cavalo dado, não se olha o dente.
(Ou, não se morde a mão que dá de comer.)
Um blogue delico-cool, onde o tal e o outro dão graças por não saberem que não sabem o que não sabem.
quarta-feira, 9 de setembro de 2015
Não precisamos de uma mulher para presidente
Que o slogan "é uma mulher de qualidades", utilizado para propaganda pelos apoiantes de algumas candidaturas à Presidência da República, promove uma ideia, promove.
terça-feira, 8 de setembro de 2015
Continuações e outras construções
Tanto por dizer. Tanto tão bem dito.
"Imagina que tu mesmo estás a construir o edifício do destino humano, com o objectivo de, no fim, fazeres com que as pessoas sejam felizes, que recebam a paz e o sossego, mas que para isso seria necessário e inevitável martirizar uma criatura minúscula, aquela criancinha que batia com a mãozinha no peito, e que seria sobre as lágrimas não vingadas dela que tinhas de erguer esse edifício; concordarias então, nessas condições, em seres o arquitecto? Diz, e não mintas!
- Não concordaria --disse baixinho Aliocha.
- E podes admitir a ideia de que as pessoas para quem estás a construir concordem em aceitar a sua felicidade à custa do sangue injustificado do pequenino mártir e, ao aceitarem-na, ficarem felizes para sempre?"
(Dostoiévski, Os Irmãos Karamázov)
E quem vai fazer alguma coisa? Ora, os mesmos de sempre. Quem não tinha tempo, continua a não o ter.
(Não pretendendo catequizar nem fazer disto um púlpito, hesitei em escrever sobre os refugiados. O tema é demasiado complexo para o confinar a posts curtos e incompletos, como os que aqui escrevo. O tema é demasiado importante para não dizer nada.)
segunda-feira, 7 de setembro de 2015
Nem todas, nem sempre
Tenho uma péssima memória visual. Além disso, sou terrível com pessoas. Estas duas características (sim, bem sei que lhes chamariam defeitos, mas o post é meu) aliadas, dificultam a minha relação com algumas senhoras que, quando me são apresentadas, miro tentando fixar. O que se torna impossível, por nada de memorável lhes encontrar. Então, continuo a passar por elas sem as reconhecer. Despeitadas, queixam-se de que as não cumprimentei.
domingo, 6 de setembro de 2015
Refúgios
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica aí dentro,
não vou deixar
ninguém ver-te.
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu despejo whisky para cima dele
e inalo fumo de cigarros
e as putas e os empregados de bar
e os funcionários da mercearia
nunca saberão
que ele se encontra
lá dentro.
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica escondido,
queres arruinar-me?
queres foder-me o
meu trabalho?
queres arruinar
as minhas vendas de livros
na Europa?
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado esperto,
só o deixo sair à noite
por vezes
quando todos estão a dormir.
digo-lhe, eu sei que estás aí,
por isso
não estejas triste.
depois,
coloco-o de volta,
mas ele canta um pouco lá dentro,
não o deixei morrer de todo
e dormimos juntos
assim
com o nosso
pacto secreto
e é bom o suficiente
para fazer um homem chorar,
mas eu não choro,
e tu?
(Charles Bukowski)
sexta-feira, 4 de setembro de 2015
quinta-feira, 3 de setembro de 2015
Ressonância vital
O assombro de possuir um anjo e conhecer o êxtase do toque celeste. O prazer puro que irradia essência primordial. A criação que surge da colisão, como a consciência que assoma em acesos de loucura. O corpo que se desentranha da vida, do caos, do cosmos, da morte.
Adivinha-se o nada. Revela-se o delírio amoroso. O deslumbramento resplandece na cegueira das horas amorfas e cegas e mortas. O tumulto insólito esculpe as palavras que brotam extravagantes, desfeitas, desniveladas, contrafeitas.
Restam sentimentos difusos e associações de partículas. Ressoam metáforas.
Ca-su-lo
Era uma noite quente. Saímos os dois, para respirar o mar. A mão dele dentro da minha. "Não apertes tanto pai". Mas eu gosto de o ter ali e esqueço-me de não apertar. Aliás, gosto tanto de o apertar que, quando lhe dou a mão, (e damos sempre as mãos) rodeio o seu pulso com o dedo. "Fazes-me cócegas pai". E eu gosto de lhe fazer cócegas. E de o ouvir rir. "Mais não pai". E de sentir aquela mão pequenina dentro da minha. Como um casulo. Gosto de casulos mais do que de sedas.
Mas, dizia que passeávamos de mão dada. Melhor, ele dá-ma e eu seguro-lha. Isto é, seguro-o. Adiante. A certa altura, interrompendo a nossa conversa sobre "o pastilhas e o soneca", ele diz "ni-co-la", apontando o reclame luminoso do café de praia. Apertei-lhe um pouco mais a mão.
Depois disso passou a ler "vo-ta" nos cartazes de propaganda. E "mo-ta" e "va-ca" e "pi-pa" nos jogos de palavras.
Ontem ao serão, exibia-se lendo palavras do livro de português que já chegou "fo-ca", "da-do", quando lhe apontei a palavra dedo escrita sob a respetiva imagem. Muito compenetrado, pausadamente, ele disse "u-nha".
(Aquelas imagens. O menino inerte. Os meninos sem casulos.)
quarta-feira, 2 de setembro de 2015
Dilemas faturantes deste recomeço
Mínimos ou homem-aranha? Mochila ou trolley? Dossier ou caderno? Piano ou viola? Caça ou canoagem? Lebre ou coelho? Pelo ou pena? Azul ou branca? Esquerda ou Direita? Branco ou nulo? Fosun ou Foi-se-um? Presidente ou presidenta? Ídolos ou desiludidos? Migrantes ou refugiados? Para as e trinta ou as e trinta e cinco? Com ou sem gás? Tinto ou tinto? Fresca e natural!
It's always tea time
Desejo um Natal sem data marcada desde Manuel Sérgio "Um dia / Quando for Natal / (E já não for Dezembro) / E o mundo for o espaço / Onde cabe / Um só abraço (...) (Quando o Homem quiser / Será Natal)".
Lendo blogs, apercebo-me de que, afinal, foi o Ano Novo que chegou fora do calendário.
E os ginásios à pinha.
terça-feira, 1 de setembro de 2015
Talvez não seja problema de coração
Bochechuda sem ser rechonchuda e com a idade indiferenciada e indiferente das primas solteironas, Mizá é a vizinha.
Conheci-a quando, há uns anos, ainda indeciso quanto à compra, visitava o prédio. Fiquei logo a saber que a mão cheia de fracções que lhe pertencem não são para vender, pois Mizá gosta muito de casas. "Até tenho uma igual à Gulbenkian".
Na altura, enquanto recebia a mobília para um quarto, Mizá fez questão de me entrar em casa, para dizer que não gostava de camas. "Eu gosto é de fauteuils. Fauteuils e chaise longues. Tenho fauteuils e chaise longues espalhados por todo o lado. Vou a passar e penso: ai estou cansada. E deito-me."
Num fim de tarde cruzámo-nos na Portaria, onde eu recolhia o correio e ela chegava de passear a amostra de cão. Queixou-se, então, que uns vizinhos (aqueles que ele era, que ela apareceu, que fizeram e aconteceram - ela bem tentou, mas eu sou péssimo com pessoas) não apanhavam o cocó. E logo ameaçou com um presente na caixa do correio. "Mas com um papelinho. Assinado. A dizer: fui eu que pus o cocó aqui. Eu quero que saibam que fui eu. Eu, que pus o cocó."
Foi só depois, numa dessas edificantes reuniões de condomínio, que vim a saber como Mizá chamava a polícia municipal sempre que alguém pendurava um quadro, para depois se apressar a enviar sms aos vizinhos "espero não ter incomodado". Ou como se recusava partilhar o elevador com outras vizinhas. (Embora, digam, nunca o tenha feito com vizinhos.) Ou como perseguia empreiteiros obra adentro "espero não estar a estorvar".
Mas, enfim, à Mizá, tudo se perdoa. Afinal, a vizinha é doente.
Ainda antes das férias, estava para sair da garagem quando me bateu no vidro e, mal o baixei, Mizá enfiou as bochechas no carro "Tenho andado tão mal, que nem queira saber. Agora, estou a fazer a dieta que o Champalimaud fez para mim. Até tenho uma roda de alimentos só para mim. Quer ver aqui, Senhor Dr? - ao mesmo tempo que sacava do telemóvel - Eu só posso comer para aqui. É uma rrródait (raw diet foi só depois de ter saído da garagem). E, a seguir, vou fazer uma dieta de vitamina C, daquelas que não se fazem cá".
Mas hoje, hoje Mizá apareceu rejuvenescida: "Vou fazer uma casa inspirada na casa da cascata do Corbusier e adotar um emigrante."
segunda-feira, 31 de agosto de 2015
Uma chuva imperturbável
Saboreamos as memórias como se refletissem, com exatidão, a coleção de instantes que guardamos na caderneta dos selos intocáveis, oriundos de regiões de álibis francos e improvisos clementes.
Há uma sofreguidão em compor todas as cartas, como espelhos de perfeição sem escrúpulos.
Comovem as figuras dos desiludidos que recusam consolo, a casmurrice gráfica dos mártires, o embaraço colorido das olheiras.
A ilusão de uma repetição não é incoerência menor do que a de uma descoberta.
Nada foi igual à impiedosa lembrança.
sexta-feira, 28 de agosto de 2015
Talvez, se não tivesses crescido, te levasse comigo
Não sei quando deixei de pensar, todos os dias, na minha primeira "namorada a sério".
Sei que ela era a perfeição e que, durante o nosso tempo, fomos perfeitos juntos. Lembro-me de tudo ser novo, por mais que o repetíssemos. Do colar de coral comprado em Split, depois de o regatearmos, por entre as tuas risadas e desabafos "parecemos ciganos"; de o quereres trincar, mesmo dentro da loja bafienta à entrada do palácio, para "ter a certeza de que não é plástico". Do nosso Milestone e das "walking distance". De te ensinar que uma cidade se conhece a pé. Daquele dia de sol em que desabou uma chuvada e vestiste o saco de plástico; de nos termos refugiado numa cabine telefónica e de termos rido até secares. Quando passo em Marylebone, continuo a recordar aquele instante perfeito em que foste bela. Não me dei conta do momento em que deixaste de te despentear e os corais deixaram de ser dignos do teu colo. Não sei quando deixei de pensar em ti.
Este, será o fim de semana daquele que era o nosso carnaval. Sei que foi por isso que hoje me lembrei de ti. Sei que irei, com a certeza de te não encontrar. Cresceste e deixaste de gostar de brincar. Eu não.
Nem adivinho o que lhe saiu na rifa
Conheço o Mendonça Correia, vai para 30 anos. Dono de uma cultura livresca fenomenal, de um sentido de humor genial e absolutamente alheio ao senso comum. Com ele conheci o casino da Póvoa e os Alonso Menendez, discuti Engels e duvidei de Nietzsche, vivi uma aventura em Salamanca e conduzi um Aston Martin, fiz uma tirada até Andorra e passei férias num barco em Henley-on-Thames. O Mendonça Correia sempre disse que, se tivesse de trabalhar, seria funcionário público, por não haver mais nobre função do que a de servir o interesse geral; e que, se tivesse um filho, o chamaria Bruno, para que fosse um cidadão do mundo e o seu nome soasse igual em qualquer parte. Ao despedir-se de um grupo heterogéneo, seja depois de um jantar ou no final de um email, é invariável com "beijos nas damas e abraços nos valetes".
A perfeição deste meu amigo só é beliscada pela sua fraqueza perante as mulheres. Sempre que se apaixona, Mendonça Correia muda de figura. Assim, era vê-lo de sobretudo preto e camisola de gola alta quando estava com a outra professora; de botas timberland e mochila às costas quando vivia com a instrutora de ioga; de camisa aos quadrados na altura da vereadora; de máquina fotográfica em punho na época da arquiteta; de fato e gravata no tempo da juiz.
Hoje, vi-o de cabelo comprido, camisa rosa e calções...
quinta-feira, 27 de agosto de 2015
Todos presos para a prisão
Confrontado com o manancial de hoje, pensei em escrever sobre a distinção entre moral e direito; ou entre amoralidade e imoralidade; ou entre roubo e furto; ou entre ladrão e corrupto; ou entre responsabilização e penalização; ou em debruçar-me sobre a diferença entre os que vivem à custa de e os que são parte integrante de, ilustrando, quiçá, com as figuras dos chulos e das putas...
Está visto que ainda não é desta que escrevo um post sobre futebol.
Os hotéis delas, o romantismo e a minha credulidade
Não há mulher que se preze que não gabe o hotel onde dormiu, aventando-lhe qualidades supremas prontamente ilustradas com as fotografias tiradas.
O hotel que escolheram (se foi escolhido por eles "para elas" isso então, epá, isso então é, se possível, ainda mais top) é sempre ma-ra-vi-lho-so e lindo e giro e espaçoso e enooorme e grande e relaxante e cativante e paradisíaco e clean (limpo está out) e proporciona uma verdadeira sensação de absorção ao contrário. Tudo acompanhado do respetivo detalhe fotográfico. (A dada altura, o entusiasmo somado à praga de fotos já só faz pensar em publicidade encapotada. Só que não.)
E eu acredito! Mesmo quando estou a ver que não. Eu acredito! (Para mim continua a ser Vidago Palace ou Vilalara, consoante as coordenadas geográficas onde me encontro.) Mas, acredito! Até acredito que é o melhor que alguma vez conheceram. Eu acredito que o hotel era tudo o que dizem e mostram. Eu acredito que vos "soube pela vida" e aquele 5 (ou seriam 3) estrelas era o absolut-vodka-very-best-céu-na-terra-paraíso-terrestre. Eu acredito!
Agora, que me digam que o hotel era "super romântico" e não tenham uma única fotografia do teto... nisso é que eu já não acredito!
Misericórdia...
quarta-feira, 26 de agosto de 2015
Vamos às boas
Quando uma pessoa tenta gostar da guerra dos tronos, mas acha mais piada à guerra dos phones, recorda as boas séries...
com ênfase para a série com o melhor genérico de abertura...
segunda-feira, 24 de agosto de 2015
Com tantos blogs bons
Intriga-me a quantidade de pessoas que dizem ter desperdiçado tempo de férias com blogs medíocres.
Haverá quem pense que as horas não compreendidas na folha de ponto são menos valiosas?
Prejuízo é acreditar em mulheres que começam as frases por "sinceramente".
Os ovos moles deixaram-me um travo amargo. A indigestão causou-me pesadelos de traição e revolta em Vimaranes.
Haverá quem pense que as horas não compreendidas na folha de ponto são menos valiosas?
Prejuízo é acreditar em mulheres que começam as frases por "sinceramente".
Os ovos moles deixaram-me um travo amargo. A indigestão causou-me pesadelos de traição e revolta em Vimaranes.
sábado, 22 de agosto de 2015
Fantasias inconsequentes
Não sei se antes: do beijo do sol, do pó do caminho, do toque do sino, da revoada das aves, da imobilidade do génio, da esquisitice da sombra, do flamejar dos astros, dos borrifos das ondas, do avistar dos vultos, do assolar da consciência...
Não sei se depois: do veludo do crepúsculo, do toque da pele, do rolar das pedras, do remate da torre, da suavidade do silêncio, do sono dos veneráveis, da descida das escadarias, do ardor do combate...
Não sei se enquanto tudo é dominante e profundo e isolado e fundido...
Não sei quando me surpreendo esquecido das horas, cravando lembranças que roubarei ao esquecimento, criando tempos para te procurar. Apenas reconheço que assim me acho, hesitante entre ceder à violência que seria desenganar a inutilidade ou arriscar professar a terna crença que sugestionas.
quinta-feira, 20 de agosto de 2015
quarta-feira, 19 de agosto de 2015
terça-feira, 18 de agosto de 2015
É o fim do caminho
O caminho faz-se caminhando, para a frente é que é caminho, por vezes é a subir, mas é para baixo que os Santos ajudam e há quem se meta por atalhos. Para caminhar 36 lances é prevenir que serão mais de 120, omitindo o não subentendido de se falar em metros, e advertir que só os fortes lá chegarão. É mais fácil ensinar que quanto mais alto se sobe mais longe se vê do que quanto mais alto se sobe mais pequeno se parece aos olhos de quem não sabe voar. O caminho que sobe também desce e entre dois pontos o mais curto é em linha reta. Prefiro a solidez do que não caiu, não cairá à do caído, cata-vento. Há quem volte sempre, há quem permaneça e há quem não saiba a diferença.
(Se não tenho fotografias mais bonitas? Claro que sim, mas estão habitadas.)
segunda-feira, 17 de agosto de 2015
Sinais ambíguos
Os perritos e seus cocós dizem muito sobre o civismo do barrio.
A exploração de cavalos, atrelados dias inteiros, à torreira, de freio na boca, puxando coches em pisos que lhes são tão penosos, diz o quê sobre quem?
A exploração de cavalos, atrelados dias inteiros, à torreira, de freio na boca, puxando coches em pisos que lhes são tão penosos, diz o quê sobre quem?
domingo, 16 de agosto de 2015
Que nos chamem loucos
Que marquemos encontro com Alfonso e façamos coro em Ena. Que na íngreme San Fernando te apoies em mim, mas seja pelos San Marcos que te perdes. Que troquemos Lillas Pastia pela Betis. Que te mire guapa enquanto José faz 35 anos a cortar "francês? Ah, português: presiuto". Que me pegues na mão em Alcázar. Que me faças esquecer as sevilhanas para ficarmos apenas com os ritmos. Que me chames cariño pelos paseos. Que nunca desistas, mas saibas sempre quando parar.
quarta-feira, 12 de agosto de 2015
Um barco para Ítaca (não tem nada a ver com blogs)
Há quem seja filósofo de frases feitas e há poetas de clubes mortos. Há quem cite Eça e há apaniguados dos Santos. Há quem conheça as proibições concretas e há quem ignore os direitos universais. Há quem escreva a linguagem como vida. Há quem não se desculpe por pertencer à aristocracia do espírito. Há quem pinte melancolia no papel. Há quem cultive posturas alienantes. Há quem desencarcere o espírito em palavras. Há quem não goste de poesia e, por vezes, nem de prosa. Há quem perca o fio à meada e há quem não saiba rir da piada. Há tessituras poéticas que tornam singular a assinatura incógnita. Há american pies e há ases pelos ares. Há, sobretudo, a efemeridade:
"De ser imortal, ó Deusa, eu morreria".
terça-feira, 11 de agosto de 2015
segunda-feira, 10 de agosto de 2015
Memórias de arroz doce
Durante o Verão, lá na herdade, era frequente aparecerem mulheres carregando travessas de arroz doce, pedindo a minha avó que as enfeitasse para serem centros de mesas de casamentos. Provavelmente por saber escrever, a avó fazia brilharetes desenhando os nomes dos noivos com pó de canela. Talvez por isso, sempre tenha associado o arroz doce a festas. Amarelo polvilhado de castanho sabe mesmo a alegria. Assim, não admirava que, pelo meu aniversário, pedisse uma travessa de arroz doce feito pela Madrinha Docelina e enfeitado pela minha avó, em substituição do pão de ló. "Parabéns Outro Ente" era o tema. E minha avó esmerava-se nos arabescos das letras.
Deixei-me de festas de aniversário quando me faltou o arroz doce. Nesses dias, estou deliberadamente longe de casa. Como se houvesse outras razões para não comer aquele arroz doce. Como se não fosse inelutável. Como se fosse opção. Não é.
Dos resultados do jogo
A avaliar pela quantidade de jornais desportivos no areal ninguém diria ter havido jogo ontem. E as eleições ao virar da esquina. Isto assim não vai lá.
domingo, 9 de agosto de 2015
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